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24 Jun

 

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21 Jun

by Anna ♥

TO BE BRITISH

Após longo período de ausência, venho então falar-vos do acontecimento do ano em Londres. Talvez mais do que os Jogos Olímpicos, ou um tão flamejante Europeu de futebol, que embora além fronteiras, deixa qualquer fã inglês roído por dentro, fora, e no espaço entre a pele e o músculo: o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II. Este é sem dúvida “o” momento. Tentei aproveitá-lo ao máximo, pelos dois belos dias de feriado que me proporcionaram, mas também pela quantidade massiva, e maciça!, de pessoas que vieram à cidade para assistir ao evento de todos os espaços do Reino Unido, Commonwealth e outros. Tenho que admitir que não sou por aí além monárquica, mas o Reino Unido sem Rei, neste caso Rainha, não seria a mesma coisa.

Dei por mim no dia 4 de Junho, no Hyde Park a assistir ao concerto que estava a ocorrer em frente ao Palácio de Buckingham. Tanta gente lá estava que parecia que estava num daqueles concertos, de tal forma cheios, que nem vemos o palco, só os ecrãs. Dado isto, a curta distância entre o Hyde Park e St. James’s Park foi reduzida a nada. Vi Elton John, Stevie Wonder, Paul McCartney, e um Princípe Charles a chamar de “Mummy” a uma Rainha que já reina há 60 anos, e que embora com os seus defeitos, e as perguntas que nos cria, é sem dúvida uma das maiores imagens de marca do país, ou melhor, países. Convém dizer que quando se chama Elizabeth II de “Rainha de Inglaterra”, temos que nos lembrar que ela é também Rainha de Gales, da Escócia e da Irlanda do Norte (já para não falar de todos os países da Commonwealth, da Austrália ao Canadá!). São quatro países dentro de um, ou regiões autónomas, ou tudo a mesma coisa, dependendo do contexto e das situações. É uma coisa complicada. Mas Elizabeth II é Rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte – nome comprido; real.

O que mais me emocionou foi o hino nacional (God Save The Queen). Há qualquer coisa com os hinos que tremem as pessoas. Sejam de onde forem, quando todos os cantam em uníssono, tornam-se canções realmente fortes – o que é suposto serem. E analisamos isto sabendo que o local onde nascemos é de tal forma aleatório, que um inglês tanto podia ser chinês, como um português podia ser eslavo. Que eu saiba ainda ninguém preenche um formulário na hora do nascimento, ou mesmo concepção, sobre o país e cultura a que quer pertencer. Ninguém escolhe, havendo quem goste, desgoste, adopte uma dupla, escolha uma outra, mas independentemente de quantas tenhamos, ou de qual adoptemos, ou com qual nasçamos, é sempre algo identificador, mesmo que seja de carácter não efectivo. Daí atitudes altruístas, paternalistas, racistas, xenófobas e por aí vai se mostrem assim desprovidas de qualquer tipo de… de… lógica.

Penso que o povo Britânico é um povo complicado, mas mais do que tudo incompreendido. Há duas visões: ou vêem-nos como perfeitinhos de chapéu à Sherlock Holmes e Peter Rabbit, ou como Hooligans que partem tudo. Sejam qual deles for, é sempre um hipócrita, que obriga os outros a fazerem coisas “para inglês ver.” São ambas erradas, e frutos de estereótipos que são generalizados pelos media, e que quando alguém lá fora reversa a medalha é apelidado de “racista” ou de “deve-se achar.” Não é o povo mais aberto do mundo, mas portugueses, portugueses, nem vocês o são. Saquem-me de um espanhol logo ali ao lado, um italiano, e máximo dos máximos, um brasileiro, e hão-de sentir-se verdadeiros escandinavos no meio da Sapucaí.

Diria que é um povo completamente normal, embora ainda com uma qualquer coisa de desconcertante consigo próprio, de que não se pode estar sempre contente com tudo porque a vida tem mais chuva do que sol. Parece que deveriam estar todos no analista a tratar de um qualquer trauma de infância. Queres passar? “I’m sorry”. Tocam-te no ombro ao sair do autocarro, “I’m sorry”. Há sempre um “I’m sorry” na ponta da língua, sentido ou não, não interessa muito. Dizem mais “I’m sorry”, que “hello” ou uma outra coisa. E tem que ser “I’M sorry”; só um “sorry” não dá. Tudo isto gera a tal ironia, daí o humor negro, difícil, e brilhante.

Bebem muito? Sim, às sextas e sábados bastante. Mas é cultural e daí? O que o evento do Jubileu me mostrou é que a nossa visão cultural turva sempre o real valor que a nossa cultura e a cultura dos outros têm. Admitindo-se ou não, um povo ter o hábito de se embebedar no final da semana, tem o mesmo valor e é tão correcto como não o fazer. Os portugueses também têm hábitos que eu começo a achar estranhíssimos. São hábitos que provêm de alguma coisa. E depois, se fosse tudo igual, valha-nos a virgem, que o mundo ainda era uma seca maior do que já é.

Rainha há 60 anos, um Beatle que mudou o mundo, os carros antigos e o palácio, as roupas néon, um Elton John de cor de rosa, o retro, e os cabelos punks, e os smartphones, um americano negro de trancinhas a cantar “Isn’t She Lovely?” e a moda mais famosa, e e os carrinhos de bebé high tech. É isto que eu conheço. E por falar em moda, e sendo isto o M21, que venha uma metáfora: uma Stella McCartney que calça Hunters e veste um casaco de caça. Também como um carro Aston Martin, que mais moderno é impossível, mas que mantém um aspecto rígido e classicista, e um James Bond que o guia, cujo relógio Omega se vai aprumando, mas tem o mordomo e usa fato preto com lacinho. É uma sociedade ainda com classes, mas que ensinou, aos que querem, e aos que rejeitam, muito sobre o viver no mundo moderno, que eles criaram. Depois veio a América, mas o Reino Unido traçou-a. Rejeitá-la completamente, é rejeitar a cultura actual de um qualquer europeu, e não só. E realmente, é um país que passados cem anos ainda tem, aqui e ali, restícios do seu império. Caso o império mental exista, ainda o são.

Fui ver a Tour do Harry Potter e, tal como disse um dos realizadores, Yates, penso eu, é uma história escolar tipicamente inglesa, mas com monstros, magia, 3D e efeitos especiais. Fiquemo-nos com metáforas. Ali eu percebi o que deve ser ser britânico, no bom e no mau sentido, em tudo. Percebo a cultura, e faz-me tanta lógica como a com a qual vivi durante mais de duas décadas. Aqui, viver assim faz sentido. Ser assim, faz sentido. Vem da história, dos reinos, das lutas, da arte: um “I’m sorry”, que a à sexta-feira bebe umas pints e deixa de estar, ou de ser; que pára um país para ver uma Rainha cujo poder real é pequeno, mas que ainda nos dá a ideia do “quão grande que fomos.”

Digo-vos, to be British deve ser interessante.

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